Resenha: Nas Fronteiras de Alice de Marcelo Nogueira Siqueira

Porninichristie

jul 21, 2016

Como devo começar esta resenha falando deste livro do meu amigo escritor Marcelo? Eu estou sem palavras e chocada pela narrativa, pelos personagens, a série de acontecimentos explosivos da história e derretida pelo romance de Yuri e Alice.

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Lembro-me de quando conheci a obra de Marcelo, ela ainda estava somente na fanpage que fazia muito sucesso, eu decidi acompanhar, pensando que este era um livro que prometia muito, e realmente era. Todas as minhas expectativas foram muito além quando comecei a ler Nas Fronteiras de Alice. Me surpreendi ainda mais pela elaboração do texto e a construção dos capítulos, o fato de ser narrado por uma figura masculina deu originalidade ao livro, que foi preparado com minucioso cuidado e dividido em partes. O mesmo cuidado e organização que me lembrou do personagem principal da trama, Yuri. Gostei muito da estética e o papel amarelado relaxou uma leitura em que eu me acorrentava. Quando ia perceber já estava na metade do livro. Ah, e o cheiro. Vocês querem saber do cheiro? Este livro cheira bem demais (rsrsrs).

Uma nota muito importante é que, o livro todo é, na verdade, um relato feito pelo personagem Yuri Valverde de dentro de um avião indo para a França, logo após passar por um cartaz da Gucci e ver a foto de uma modelo que lhe lembrou Alice, a nossa protagonista, por quem Yuri nutre um amor incondicional. Então a partir daí ele começa o relato de quando eles se conheceram, dando detalhes furtivos de seu relacionamento e descrições profundas de Alice.

O romance se refere a Alice, uma menina de 20 anos, enquanto Yuri tem o dobro de sua idade, é casado e bem sucedido. Eles se conhecem num café em Porto Alegre durante um Simpósio e o lançamento de seu livro, também está tendo várias atrações e os hotéis todos lotados, Alice não tem onde ficar e deixa suas coisas com Yuri enquanto vai a um show do Slipknot. A partir daí, um romance entre os dois se inicia e Alice mostra diversas faces existentes nela, mas todas elas verdadeiras. Ela é sempre bem sincera e impulsiva, o que torna a história mais emocionante, pois acompanhamos todos os picos de humor dela. Acho-a muito divertida, em alguns momentos até pude me identificar com ela; e Yuri me fez rir muitas vezes logo na primeira metade do livro. Se eu pudesse descrever o romance dos dois protagonistas, eu diria que este é um romance montanha russa, justamente pela mudança sempre repentina de humor de Alice.

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Bom, como de costume, dou meu aviso de spoilers antes que uma tragédia entre vocês e eu aconteça (rsrsrs). Então se você ainda não leu o livro do Marcelo, vá logo ler que não haverá arrependimentos, se você não gostar eu libero o tapa de costa de mão na minha cara. E se você, meu leitor, leu, prossiga com esta resenha e vamos discorrer no final que é bom!

ATENÇÃO: SPOILERS

Não tem muito o que falar a mais deste livro mais do que já falei e elogiei. Eu gostei muito, fato. Ponto, acabou. Contudo, não quero finalizar esta resenha sem antes deixar aqui, preto no branco, alguns trechos e pontos que mais me chamaram a atenção.

“Senti a falta do tempo, a ausência do espaço, a perda de referências. O infinito estava ali, a solidão estava ali, o nada estava ali. A xícara voltou ao seu lugar sem o derradeiro gole, pois  não havia mais cappuccino, nem revista, reportagem, Débora, Maria Regina, ditaduras, fotografias, Porto Alegre… Não existia mais nada naquele instante, não havia cenário, personagens, contexto. Existia apenas aquele menina, aquela menina de saia xadrez que me deixou sólido, sem ar e suspenso da realidade que me rodeava.”

Este é o trecho de quando Yuri vê Alice pela primeira vez e fica pretérito. É como se ele tivesse dado de encontro com a sua salvação perante o perigo, ele perde totalmente a reação e se esquece até mesmo do tempo que parece ter parado quando a garota entrou no café. A reação dele e a urgência em conhecê-la me faz lembrar um pouco de Lolita de Vladimir Nabukov. Aliás, sendo este um dos livros favoritos de Alice, citados na obra de Marcelo.

Alice é meiga, divertida, engraçada, vaidosa, sabe o que quer e sabe também o que não quer. A imagem de Alice passa a ser até mesmo um pouco mimada e pode irritar o leitor às vezes (me chocou ela revelar que tem borderline, que, pra quem não sabe é uma doença psicológica que não tem cura), ou até mesmo fazer pensar: ela diz isso, por que eu não pensei nisso antes? Mas ela é apenas um misto de emoções e sensações, o que a torna uma personagem original e que tem carisma e seu próprio jeito.

Ouso dizer que, até mesmo me identifiquei com ela quando o Yuri começa a contar a história de sua vida e ela fica tediosa achando que ele enrola pra chegar no ponto, na verdade me identifiquei com ela em vários momentos. E, na verdade, a história toda que Yuri estava contando sobre ele era o ponto que ele queria chegar. Eu demorei um pouco pra ler essa parte justamente por causa dessa demora de algo acontecer e me surpreendi quando Alice levantou, colocou o dedo na cara de Yuri e xingou com todas as forças, desabando em choro depois. Acho que foi a parte da história da vida de Yuri que mais teve ação e que ele não esperava.

“-Então você casou com essa mulher por que ela era virgem? Que coisa mais deplorável, ridícula e machista! Não sei por que estou aqui com você, você é um pré-histórico, um nojento machista que acha que somos propriedade de vocês, machos dominantes. Eu estou com nojo de você! Você se casou por que ela era virgem? Eu não acredito nisso! Ah, claro, ela também era alta, loira, olhos verdes, pura! Que coisa sem sentido! Você é um idiota, não sei como eu pude ir para cama com você! Aliás, o que você deve achar de mim, né? Uma vagabunda, uma putinha que você seduziu e agora quer dispensar falando essas coisas, me comparando, me humilhando. Eu não sou essa mulher perfeita, não sou pura, não sou virgem! Você é um canalha, Yuri. Eu não quero nunca mais vê-lo! Eu vou embora daqui agora!”

Calma Alice, não precisa ficar nervosa, sabemos que você não é perfeita e é justamente por isso que amamos você <3

Não vou mentir, Nas Fronteiras de Alice é um livro que quando eu olhava eu sentia muita preguiça de ler. Não sei se talvez por estar envolvida com outros livros de maneira diferente. Mas uma leitura que não larguei e que, mesmo com preguiça, quando começava a ler de onde parei, não conseguia mais. É simples, mas te prende de forma clara.

É um romance doce com direito a tudo, e profundo na narrativa de Yuri que, sempre é muito cheia de significado e perspectiva, além de mostrar-se sempre cheio de cultura e lembrar-se de muitos momentos dele, de sua juventude, que ele nunca quis estar no convencional ou quisesse tratamento especial. E me fez reparar, também, no fato dele ter tido uma banda chamada Pepinos Amestrados, acho essa parte do personagem muito legal, da até pra imaginar e dar umas boas gargalhadas.

Pra finalizar, um trecho do prólogo que eu simplesmente amei, se não foi o que mais gostei, não digo nada, e deixa aquele gostinho de quero mais e aquela dúvida marota: vai ter continuação? É bom que tenha!!

“Alice era múltipla, com fronteiras tênues e misteriosas. Sua aparição repentina me fez repensar tudo ao meu redor, meus valores e a mim mesmo. Eu sempre soube que não conseguiria resistir a ela. Por vezes, tive de recorrer às poucas fotos de que eu dispunha daquela semana louca para ter a certeza de que tudo aquilo realmente aconteceu. Ver aquela Alice, congelada no tempo, no ápice de sua juventude, era como se eu tivesse a possibilidade de voltar no tempo e olhar aqueles olhos misteriosos, sedutores, desafiadores, irônicos, tristes…”

♣ ♣ ♣

Ao meu amigo e autor do livro, meus agradecimentos por esta obra, meus agradecimentos por ela ter chego até mim e por nossa amizade que nunca falta assunto. A essência deste livro é incondicional e há beleza em cada linha e cada palavra. Marcelo é com certeza um modelo para que eu persiga meu sonho de ter meu próprio livro publicado. Nas Fronteiras de Alice me trouxe esperança e força para que eu lute por isso. Eu espero que o meu leitor leia este livro e sinta-se da mesma forma que eu.

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E antes que eu me vá, deixo mais uma foto deste incrível livro com meu tigre de pelúcia Nane que está comigo há quase 20 anos. Sou grata por ter esse amiguinho e ele também adorou Nas Fronteiras de Alice 😀

Um beijão, uma boa leitura e até a próxima resenha!!

Por ninichristie

Escritora e amante de fotografia, 24 anos, formada em Publicidade e Propaganda. Além de ser a louca por livros e ser fã compulsiva da série A Desconstrução de Mara Dyer e a trilogia Jogos Vorazes, também ama de paixão ser fotógrafa.

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