Cold Bones

cold bones
Respire, ele diz.
Mas não consigo. A medida que a traqueia se fecha e engasgo na água fria, é cada vez mais inútil tentar.
Salve-se, ele continua.
Mas ele não vê que é impossível?
Então as lágrimas descem e os olhos ficam vermelhos, as pupilas dilatadas tão negras quanto o breu de uma esquina mal iluminada a noite.
Ele me tira da água, as roupas pesadas puxando meu corpo para baixo. Para baixo.
Mas ele é forte e sempre foi a minha montanha. Ele grita, me sacode, empurra meus pulmões para dentro de mim. Mas estou tão pálida e fria que não sinto mais.
Acorde, ele me agita desesperado.
Então tudo é salvação quando suas mãos chegam ao meu coração e o assopram para viver.
Dá-me fôlego para que possa aguentar só mais um segundo, dá-me o próprio ar para que possa respirar, dá-me o calor para que possa me aquecer.
Não fique nervosa, esfregarei as tuas costas – ele diz com um sorriso, para quando tudo se acalmar. E, por favor, não se vá. Ele continua.
E pede para que não desista, nunca.
A sensação é branca.
Foto: Pinterest

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