Resenha: 1984 – George Orwell

IMG_20171126_133946_473Imagine viver em um mundo caótico, de guerra a todo instante, em que você é vigiado 24 horas por dia, todos os dias? Esse é o mundo criado por George Orwell em sua famosa obra “1984” (Companhia das Letras). E você vai entrar nesse mundinho, pelo menos um pouco dele, agora.

Sinopse: Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que “só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro”.

Bom, já deu para perceber que as coisas foram tensas para Winston Smith, né? Principalmente vivendo em um lugar em que o Grande Irmão é maior e melhor que até mesmo Deus. Começando do início, como a regra manda: conhecemos Winston, membro do Partido, trabalhador do Ministério da Verdade que, ironicamente, faz exatamente o contrário: seu trabalho é alterar o passado para que os discursos do Grande Irmão sejam sempre “verdadeiros” com os fatos e dados que, porventura, saiam nos jornais, contrariando algum discurso passado dele. Winston, então, volta no passado e altera esses jornais para que os discursos correspondam com os fatos. Ou seja: o Grande Irmão, a figura de puro controle e crueldade, sempre está certo (e quem diz o contrário… já sabe, né?).

“Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”

Winston está satisfeito trabalhando lá. Não que ele goste de viver nesse mundo totalitário e solitário (vamos combinar). Mas se existe uma maneira de mudar as coisas, ele não sabe como… é verdade que existem manifestações e forças rebeldes (muitas envolvidas com o traidor Emmanuel Goldstein) que tentam acabar com o poder do Grande Irmão, mas Winston sabe que é perda de tempo… ou pelo menos achava. As coisas começam a mudar quando ele conhece Julia, que também faz parte do Partido. É claro que eles não podem se relacionar. Mas Julia ama Winston, e mesmo sendo vigiados 24 horas por dia (já vamos falar disso), eles dão um jeito de tentar se relacionar. Vale lembra que, para o Partido, sexo é algo sujo e só deve ser feito para gerar filhos (assim como o casamento). Depois disso, vemos onde essa história vai dar e as consequências desse relacionamento e da mente questionadora de Winston, já que, para ele, aquela “satisfação” do começo, está começando a ceder…

Bom, sobre minhas percepções: primeiro, preciso falar das Teletelas, aquelas coisas que ficam nas casas das pessoas e vigiam elas o tempo todo, a todos os instantes. Isso é agoniante, com certeza, e isso mostra o controle absoluto do Partido sobre as pessoas. É aterrorizante. No mundo criado por Orwell, até mesmo suas feições podem indicar algo que o partido não gosta e você pode ser punido por isso. Há momentos muito tensos e agoniantes, que, não vou dar spoiler aqui, mas é impossível você imaginar que algo assim poderia acontecer, mas acontece. E, principalmente na época em que Orwell escreveu esse livro (1948), as coisas eram assim: pessimistas. Desesperança era um sentimento que prevalecia. Esse foi o último livro escrito por Orwell (ele morreu em 1950).

“Guerra é Paz. Liberdade é Escravidão. Ignorância é Força. – Lema do Partido comandado pelo Grande Irmão”

Essa crueldade do Partido estava presente (e se formos pensar, ainda está) nas próprias pessoas, naquilo que a própria sociedade criou. E o poder do Partido é muito grande em 1984, e é incrível como Orwell conseguiu colocar isso em seu livro. Simplesmente aterrorizante saber que, se o Partido dissesse que 2 + 2 é 5, as pessoas acreditavam. Simplesmente porque o Partido dizia, porque o Grande Irmão dizia. Para se ter uma outra ideia desse poder, e isso não é nenhum spoiler, no livro, a Oceânia está em guerra com a Lestásia ou a Eurásia. Hoje é a Lestásia, mas se amanhã alguma coisa muda, a Eurásia se torna a inimiga, e aí entra o trabalho de Winston, de mudar todo o passado para que as pessoas saibam que a Oceânia SEMPRE esteve em guerra com a Eurásia (e vice-versa).

Bom, já me estendi demais… o importante é que vocês precisam ler esse livro, precisam entender o mundo 1984 da mente criativa de George Orwell para entender que, até os dias de hoje, estamos cercados de olhos, olhos que nos vigiam, nos criticam, nos amedrontam e nos fazem acreditar naquilo que aqueles olhos querem que acreditemos. E aí, vem a reflexão: será que devemos continuar deixando que esses olhos nos vigiem a todo momento e ditem nossos caminhos? Fica a questão…

 Ficha técnica:

1984

Autor: George Orwell

Editora: Companhia das Letras

Ano: 2016

415 páginas

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