Resenha: Em Algum Lugar nas Estrelas – Clare Vanderpool

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Oi pessoal! Estou de volta para mais uma resenha muito especial para vocês (e qual não é, certo?). Hoje vamos conversar sobre o livro “Em Algum Lugar nas Estrelas”, de Clare Vanderpool. Um livro emocionante, tocante e extraordinário (em todos os sentidos). A obra foi lançada há alguns anos (2016, pra ser exato), mas eu só ouvi falar ou conheci neste ano. Quando o vi e li a sinopse, eu simplesmente pensei que tinha que lê-lo, pois é aquele tipo de livro que eu amo e que tenho certeza que trará uma história incrível. Não foi diferente neste caso. Aproveitem a leitura!

Neste livro, conhecemos Jack Baker e Early Auden, ambos na faixa dos 12 anos. Jack conta a história, em primeira pessoa, sobre como tenta lidar com a morte da mãe e o fato de o pai o colocar em um internato, no Maine, um lugar que ele não conhece e que tem a imensidão do oceano bem ao lado. Lá, ele tenta se adaptar, e conhece Early, um garoto um tanto quanto excêntrico que escolhe as aulas que assiste (mas a de matemática ele quase sempre está) e tem os cantores certos para os dias certos, menos quando está chovendo. Quando chove, é sempre Billie Holiday. Early tem sintomas do que hoje conhecemos como síndrome de Asperger, um estado do espectro autista. No entanto, naquela época (1945), não se sabia que era isso o que ele tinha. Ele era apenas estranho aos olhos dos outros…

O fato é que os dois garotos viverão aventuras incríveis, tudo por conta de Pi. A maior peculiaridade de Early é em relação ao número Pi. Ele possui um certo fascínio pelo número, inclusive decifrando as infinitas casas decimais. Mas ele vê o Pi de uma forma totalmente diferente. Ele vê uma história naqueles números. Ele vê cores, ondas, e a história de um menino que queria conquistar seu nome, e, portanto, parte para uma jornada. Early e Jack, depois de um certo encontro e uma certa faísca na relação diferente dos dois, também partem para uma missão: encontrar o grande Urso Apalache. Mas há muito mais nessa missão para Early do que Jack pensa.

Como disse, é Jack quem narra a história em primeira pessoa, mas há capítulos em que Early conta a história de Pi que ele vê naqueles números. A escrita é muito delicada e comovente. Uma narrativa muito fluída, misturando a jornada dos dois garotos e de Pi. É daqueles livros que penso “por que não o li antes?”, e que você não vê a hora de terminar, mas quando chega lá, quer mais dessa história. Livros bons são assim e a autora constrói uma história muito instigante que a descrição que li, antes de obter a obra, faz total sentido: é um livro para passar de pai para filho.

Acho que a autora conseguiu trazer várias discussões de forma muito sensível, principalmente quanto ao “diferente”, no caso de Early. Hoje em dia é comum livros que trazem personagens “diferentes” e que nos fazem pensar sobre como lidamos com esse diferente. Mas aqui, estamos falando de 1945, fim da 2ª Guerra Mundial. O mundo era totalmente diferente naquela época – muito mais preconceituoso, podemos afirmar. Mas esse livro também nos passa lições sobre relacionamentos familiares e de amizade, o luto e a superação, tudo com uma boa dose de aventura e fantasia. Isso é o que me encantou nesse livro. A forma como a autora consegue colocar tudo isso de uma forma tão impactante e sensível ao mesmo tempo, misturando fantasia, aventura, suspense, drama e emoção. E tem a questão da guerra, que não é o foco, mas tem suas consequências e seus reflexos na obra, de uma forma crucial.

Amei conhecer Early. É um garoto que nos identificamos logo de início, eu pelo menos… amo essa excentricidade nesses personagens e conhecer um que tem essa síndrome, ainda que eles não a conheçam, é magnífico e muito importante para nosso próprio amadurecimento quando nos deparamos em situações semelhantes na vida real – muito bem colocado no papel de Jack, que tenta lidar com a forma como Early vê as coisas. E mostra como ele teve paciência, não sempre, e muita sensibilidade também. Os dois juntos nos dão momentos engraçados, de emoção e de aprendizado.

Acho que a relação com as estrelas é um fato especial colocado pela autora, mas é um detalhe apenas. É o que norteia a história, que é muito mais que isso, como disse acima. Ainda assim, é interessante, nos trazendo conhecimento também, e nos mostrando o quanto não vemos se apenas olhássemos para o céu. E acho que deveríamos olhar mais, observar como as coisas podem ser boas, mesmo com as adversidades. Porque, mesmo se estiver chovendo, não tem problema. Billie Holiday ainda vai estar tocando…

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E é isso pessoal. Espero que tenham gostado dessa resenha tanto quanto eu amei escrevê-la, apenas para poder falar de Jack e Early. Eu indico muito essa leitura e espero que você a aproveite como eu, ou ainda melhor, quem sabe. O importante é se deixar levar por essa história incrível. Muito obrigado pela leitura, galera! Nos vemos na próxima!

Ficha técnica:

Em Algum Lugas nas Estrelas

Autora: Clare Vanderpool

Editora: DarkSide Books

Ano: 2016

288 páginas

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