Resenha: Inspeção – Josh Malerman

Olá galerinha! Como vão? Leituras em dia? Hoje é dia de resenha e de um livro que foi lançado mês passado aqui no Brasil. Trata-se da mais recente obra de Josh Malerman: “Inspeção”. Um livro diferente de todos os que eu já li dele, tanto pela complexidade como pela mensagem presente em suas páginas, em uma obra muito mais profunda. Mas, uma coisa não muda: a capacidade de Malerman de nos surpreender e nos deixar de queixo caído ao terminarmos uma de suas obras. Bom, aproveitem a leitura dessa resenha e espero que gostem!

Um breve resumo sobre a obra: um grupo de 26 rapazes está sendo criado em uma torre no meio de uma floresta, isolada do resto do mundo. Um grupo de 26 moças está sendo criado em uma torre parecida, a poucos quilômetros da primeira torre. Ambos grupos são criados isolados do mundo e um não sabe da existência do outro. O objetivo é formar prodígios em artes, ciências e atletismo. Mentes geniosas. Na primeira torre, um garoto chamado J. começa a se questionar sobre a verdadeira razão de viverem naquele lugar, que é o único que ele e os irmãos conheceram a vida toda. Ele se pergunta o que há além daquela torre e da floresta em que vivem. Na outra torre, uma garota chamada K. começa a fazer os mesmos questionamentos.

Como é bom ler, novamente, um livro de Josh Malerman. Logo nas primeiras páginas já temos uma trama complexa, cheia de mistério, em um mundo criado por sua mente geniosa. Não preciso nem dizer que sou fã desse autor, tendo lido todas as suas obras lançadas no Brasil até então. Desde “Caixa de Pássaros”, Malerman se mostrou um escritor incrível que sabe dar o que o leitor quer, mesmo sendo aquilo que ele mesmo quer mostrar. Além disso, dá pra ver o quanto sua narrativa amadureceu. Como disse, é a história mais complexa e também mais filosófica dele, pela mensagem que nos é passada. Além disso, o livro foge da linha de suas outras obras, que têm uma característica mais fantasiosa e mais terror. Nesse, há o suspense, mas é uma obra que se aproxima muito da realidade.

J. é o personagem que começa a narrativa, escrita em terceira pessoa. Ele está passando pela inspeção pela qual todos devem passar. Lá está o P.A.I., outro personagem importante para a história. Ele é Richard para a equipe que trabalha na Torre. Mas é P.A.I. para seus filhos, os 24 garotos (antes eram 26) que vivem nessa espécie de internato para garotos prodígios. A inspeção, de onde surgiu o título, é talvez o fator mais importante para toda a obra. É nessa inspeção que os garotos são “liberados” de estarem “estragados” e serem enviados para o Canto (um lugar que todos temem e para o qual dois garotos já foram levados). O que é esse Canto, de fato, os meninos não fazem ideia. Mas eles foram ensinados a temê-lo. Assim como cresceram com a ideia de que a inspeção é importante para o desenvolvimento deles, para mostrar que estão crescendo conforme o P.A.I. espera. E eles confiam muito no P.A.I., pois cresceram com ele sendo uma figura de confiança – aquilo que se espera de um pai, não é?

Como eu disse, a história é complexa, com muitos detalhes e nomes que fazem parte da rotina desses garotos. Por isso é importante muita atenção na leitura, ler com calma (e mesmo assim, parece que passam-se minutos e você já leu 100 páginas). A narrativa é ágil e surpreendente, como sempre Josh traz em seus livros. No entanto, há menos diálogos, principalmente no início. Ele vai introduzindo a história aos poucos, explicando onde quer chegar lá na frente. Nos mostrando um pouco da rotina dos garotos na Torre, os anseios de J., suas dúvidas e o que acontece quando tantos garotos crescem juntos, dessa forma, sem saber o que há fora daquelas paredes.

Ainda nessa perspectiva sobre a narrativa desse livro, os capítulos são mais longos, as páginas têm poucos diálogos e os parágrafos são mais longos. Mas há também aqueles momentos de afobação, como de costume em sua escrita. Quando as coisas ficam mais ágeis, geralmente quanto é um personagem pensando, que o narrador em si perde a voz e o personagem assume a história. Esses momentos são impactantes, de certa forma por que, creio, refletem bem como nossa mente funciona em determinados momentos em que estamos questionando tudo, em que estamos enfrentando uma situação tensa. Enfim, são momentos em que o autor e o personagem se aproximam muito de nós leitores.

Além da complexidade, essa obra de Malerman remete muito ao amadurecimento, crescimento e descobertas de crianças e adolescentes, aquela curiosidade que todas têm em determinado momento da vida e que é fundamental para o crescimento delas, mesmo as crianças vivendo em um regime como o da Parentalidade. Além disso, demonstra o comportamento humano diante de uma perspectiva e de provar um ponto, de como as pessoas estão dispostas a qualquer coisa para buscar um ideal. O intuito do P.A.I., por exemplo, pode até ser compreensível, de certa perspetiva, mas não é, nem de longe, justificável.

Falando da ideia do livro, não há aquele mistério todo a respeito de tudo. O autor nos entrega logo o objetivo de aqueles garotos viverem naquele lugar. Mas, há outros mistérios, claro, como o Canto, que ninguém sabe o que é, mas todos temem, como disse acima. E mostra também como a mente funciona. A ideia da criação desse Canto nos é contada a partir da perspectiva dos fundadores desses colégios e evidencia que, quando crescemos com uma ideia na cabeça, como nesse caso, de que o Canto é uma coisa horrível e as crianças devem “seguir na linha” para não serem enviadas para lá, isso persiste, até que alguém diga ou nos mostre o contrário. E ainda assim, mesmo alguém mostrando, com provas, que não é bem assim, é difícil acreditar. Malerman mostra muito esse lado psicológico das nossas mentes nessa linha narrativa.

Nos capítulos finais, quando o inimaginável acontecia, eu só conseguia pensar: merda, merda, merda… mas num bom sentido. Merda do tipo, “merda, que livro maravilhoso!”. E não há outra palavra para definir a conclusão dessa obra: surpreendente. Sei que uso muito essa palavra para definir livros e suas conclusões. Mas, com livros como esse, principalmente de Malerman, essa palavra ganha um significado tão forte, que é quase incomensurável. Mal posso esperar por uma nova obra de Malerman (Malorie, no caso rs). Esse é daqueles autores que nós (eu pelo menos), facilmente, pensamos: como deve ser inspirador ser amigo dessa cara!

E é isso pessoal. Amei essa história, recomendo demais a leitura, seja pela ficção incrível, seja pela mensagem que passa. Espero que tenham gostado dessa resenha e deixem nos comentários suas impressões. Obrigado e até a próxima!

Ficha técnica:

Inspeção

Autor: Josh Malerman

Editora: Intrínseca

Ano: 2019

416 páginas

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