Resenha: Vermelho, Branco e Sangue Azul – Casey McQuiston

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Olá, pessoal! Com muito trazer trago a resenha de um livro maravilhoso que eu fiquei ansioso para ler assim que o conheci. Trata-se de “Vermelho, Branco e Sangue Azul”, de Casey McQuiston, que tem ganhado muita repercussão desde que foi lançado aqui no Brasil e fora também, claro. Já há, inclusive, planos para uma adaptação – ainda sem muitos detalhes, infelizmente. Bom, esse livro realmente é encantador, maluco e divertido. Espero que gostem e aproveitem a leitura dessa resenha:

Alex Claremont-Diaz, filho da presidenta dos Estados Unidos da América (EUA), e príncipe Henry, herdeiro do trono da Inglaterra. Eles são os protagonistas da história que vai abalar duas nações. Alex odeia Henry com todas suas forças, e isso não é segredo dentro da Casa Branca. Mas Alex, June, sua irmã, e Nora, melhor amiga dos dois e filha do vice-presidente dos EUA, vão para o casamento real de Philip, outro príncipe britânico. Um pequeno incidente termina com o Alex e Henry caídos em cima do bolo real.

Para aplacar as consequências diplomáticas e catastróficas disso, os dois são obrigadas a passar um fim de semana juntos como se fossem melhores amigos. Essa aproximação permitirá que os dois se tornem, de fato, amigos e, quem sabe, algo mais do que isso. Algo que eles nem imaginariam que fosse possível, principalmente Alex, e que não tem chance alguma de dar certo. Ou será que tem? Aí é que está…

A narrativa da autora pega logo de início, é impressionante. Não é surpresa que a obra tenha ganhado tanta repercussão antes mesmo de ser lançada oficialmente por aqui. Eu comecei a leitura logo depois que cheguei em casa depois de um dia cansativo, e pensei que não aproveitaria a leitura como gostaria. No entanto, a narrativa ágil (em terceira pessoa) da autora me fez “acordar” e a leitura fluiu rapidamente.

A minha vontade era não parar de ler, até terminar… mas eu fui “obrigado” haha enfim, é uma narrativa instigante, divertida e que tem uma proximidade com o leitor muito grande, numa linguagem moderna, usando inclusive artifícios como mensagens de texto e e-mail. Gosto muito de livros que se aproximam da nossa “geração”, a chamada Millennials (ou Y). Enfim, isso torna a leitura muito melhor, mais gostosa e prazerosa, pelo menos pra mim. É um romance que se encaixa em diversos gêneros: comédia românica, LGBTQ+, new-adult, entre outros.

Como eu disse, Alex e Henry são os protagonistas da história, apesar de ser mais focada na perspectiva de Alex, que já falarei sobre. Mas a autora insere outros personagens coadjuvantes, como June, a irmã de Alex, Nora, neta do vice-presidente dos EUA (e melhor amiga de Alex e June), a mãe de Alex, Ellen (que foi uma grata surpresa), a irmã de Henry, a própria Rainha da Inglaterra (claro que fictícia), entre outros. Todos eles deixam a história mais divertida e mais instigante.

Bom, Alex é um personagem irritante e chato, mas de um jeito gostoso de ler. Essa coisa de tudo, para ele, girar em torno dele é irritante, mas faz sentido a criação da autora. Quando ele está com Henry, ele meio que se transforma, e sua personalidade chata se torna até engraçada e interessante. Henry, por sua vez, é totalmente o oposto e eu até queria que a autora desse mais foco pra ele. Digo isso porque parece que a própria autora escreveu o livro com foco em Alex, tanto é que às vezes a narrativa se confunde, pra mim, entre terceira e primeira pessoa. Me peguei, em alguns momentos, verificando se era mesmo a autora que estava narrando, e não o próprio Alex. Isso não é ruim, acho que funcionou muito bem e a autora se mostrou brilhante no processo de escrita desse livro, nos entregando uma obra interessante, divertida, instigante, com ação, enfim, tudo misturado.

Mas que seria interessante se a autora também narrasse, de alguma forma, a rotina de Henry dentro do reino, seria. Claro que isso demandaria muito mais pesquisa e tornaria o livro o dobro de páginas que tem de fato. Nada impede, no entanto, que isso se torne uma trama para um futuro livro da história de Alex e Henry, dessa vez com foco no príncipe. Seria bem interessante, confesso, e eu leria com certeza haha até porque já estou com vontade de ler novamente esse livro, estou me segurando bastante, admito. Mas, seguindo em frente.

Uma coisa interessante da narrativa da autora foi misturar a questão do romance e da pegada mais sensual (sim! Se bem que sexual talvez seja a palavra mais correta), com os bastidores políticos. A autora coloca essa questão dentro da narrativa de Alex, que está tentando se ascender politicamente, já que a mãe concorre à reeleição e ele também quer entrar nesse meio. Então, a autora mostra ele andando por gabinetes de congressistas, conversando com outros políticos, conversas na Casa Branca envolvendo política, até essa questão de diplomacia entre as nações (por conta das desavenças entre Alex e Henry). Enfim, de uma maneira muito “natural”, a autora insere essa perspectiva.

Ainda nesse ponto, a autora consegue dosar de uma maneira interessante a relação de Alex e Henry com as questões políticas e diplomáticas nos dois países (com mais focos nas eleições dos EUA). É bem interessante os jogos políticos em que acabam sendo envolvidos Alex, June e Nora. Esses bastidores dão uma ideia interessante de como é política por lá, a polarização entre democratas e republicanos, as campanhas e pesquisas nos estados do país, que são importantes para a eleição e para qualquer candidato. Enfim, são coisas que nós sabemos que são reais, com um toque de ficção bem interessante.

Mas, claro, isso perde o foco quando Alex e Henry estão juntos… é até engraçado como eles praticamente esquecem as consequências do que uma relação mais íntima entre os dois pode gerar, seja com os e-mails trocados entre os dois, os encontros, volta e meia, sempre com a desculpa de que são apenas dois melhores amigos se encontrando em eventos oficiais. Mas logo Henry se insere na rotina de Alex, com festas, encontros familiares etc. Não é surpresa que as pessoas vão descobrindo aos poucos sobre os dois – e como isso pode ser usado politicamente contra a reeleição de Ellen, e eles demoram a perceber isso…

Como eu disse, a narrativa da autora é bem ágil e, no início do livro, as coisas acontecem muito rapidamente. Eu até fiquei um tanto quanto confuso, confesso. A autora acelera a narrativa para chegar até o momento do encontro entre Alex e Henry no casamento real. E dá para entender isso, até porque a história é essa. Mas ela coloca essa questão dos bastidores políticos muito bem nesse meio, e a relação de Alex, June e Nora também.

Casey nos insere na rotina da Casa Branca, dos primeiros-filhos (filhos da presidenta), desse trio que ganhou a mídia nos últimos anos, depois da eleição de Ellen. Então, nas primeiras páginas, ela vai nos introduzindo à história de maneira muito rápida, passando os dias rapidamente, chegando ao que de fato é a história que vamos ler. Isso quer dizer que ela reserva a maior parte do livro para explorar (no bom sentido da palavra) a relação dos dois e todas as questões diplomáticas envolvidas nisso.

Há alguns momentos do livro, principalmente no começo, antes que a amizade entre Alex e Henry comece a ganhar “corpo” (literal e figurativamente), que a autora joga umas indiretas que me pareceram até um tanto quanto forçadas. Acho que isso pode ser um spoiler (apesar de a sinopse já dar essa mesma ideia), mas meio que dá indiretas sobre a sexualidade de Alex. Há coisas bem clichês, acho que a palavra é a mais adequada, com alguns termos que ela usa, algumas frases, que dão essa ideia. Como se ela quisesse nos mostrar algo que nem Alex sabe ainda. Mas, em vez de forçado, talvez tenha sido intencional…

Agora, preciso falar um pouco sobre as partes mais quentes do livro, que tem um sensualismo evidente. É bem interessante, na verdade. É um livro que pode ter ares de young-adult, quando olhamos num primeiro momento, mas que está mais para o new-adult. É difícil um livro que consegue dosar essa relação íntima de uma maneira romântica, mas, ao mesmo tempo, quente e prazerosa de ler. Ainda assim, não é algo totalmente explícito. É algo muito íntimo, muita pegação, claro, muitas conversas inapropriadas, mas tudo muito bem dosado, sem ser algo grosseiro, eu diria.

O desenvolvimento do livro é praticamente o contato dos dois, a descoberta de Alex sobre si mesmo, a relação com a irmã, a política e Henry, que toma praticamente todo o livro. E daí eu acho a ideia da autora de focar mais na perspectiva de Alex. Pois a descoberta dele meio que influencia em muita coisa, muda quem ele é como pessoa, como futuro político, como filho… enfim. E nesse ponto, preciso falar sobre Ellen. Eu meio que consegui imaginar a fisionomia da presidenta dos Estados Unidos. E ela tem uma importância gigante nesse processo para Alex. Ela sabe repreendê-lo sem deixar de apoiá-lo. Ellen é do tipo fod*na, e eu simplesmente amei essa personagem, com alguns momentos favoritos do livro em que ela obviamente está.

O final é de aquecer o coração de qualquer leitor, pois ele representa a esperança, a diversão, a alegria que a autora tentou trazer para todo o livro. O final é a cereja do bolo, simplesmente perfeito para uma história que foi totalmente construída perfeitamente e que não poderia concluir de uma forma diferente. É um universo totalmente paralelo e fictício, mas tem um quê de “quem sabe um dia”. Nós não sabemos os segredos escondidos do Reino Unido, não sabemos o que os herdeiros precisam aguentar por carregarem esse peso. Então, é uma ficção, mas totalmente possível num futuro, certo? rs

E é isso. Eu amei demais mesmo esse livro, acho que deu pra perceber pela resenha gigantesca haha Eu leria novamente, sem sombra dúvidas, e num futuro próximo. Mas a verdade é que gostaria de ler mais sobre os dois, como disse antes, o futuro deles. Seria fascinante se isso acontecesse, apesar de achar difícil. Creio que a história dos dois, ainda que fictícia, passa uma mensagem muito importante para a comunidade LGBTQ+, sobre esperança, principalmente, mas também de que não há barreiras (diplomáticas, religiosas ou qualquer que seja) que impeçam de você ser quem você é, ou amar quem quer que ame.

Enfim, espero de coração que tenham gostado dessa resenha. Deixem nos comentários a opinião de vocês. Amaria conversar com vocês sobre esse livro. Até mais!

Ficha técnica:

Vermelho, Branco e Sangue Azul

Autora: Casey McQuiston

Editora: Seguinte (Companhia das Letras)

Ano: 2019

392 páginas

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