Resenha: Se eu não te vir primeiro – Eric Lindstrom

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Oie! Como vão? Hoje quero falar com vocês sobre um livro encantador, de diversas maneiras. “Se eu não te vir primeiro”, de Eric Lindstrom conta a história de Parker Grant e realmente nos coloca em perspectiva de seu mundo. Mas, vamos com calma. O livro foi lançado no ano passado pela Rocco (selo Jovens Leitores) e não sei a razão exata que me fez querer muito ler a obra – e eu li e amei. Pois bem, confiram o que achei dela:

Como disse, o livro conta a história de Parker, uma garota de 16 anos que perdeu a visão em um acidente alguns anos antes. Durante o tempo que passou tendo que se adaptar à nova vida, estabeleceu algumas regras para si e para as pessoas ao seu redor. Para Parker, ela não deve ser tratada diferente porque é cega. Isso é muito evidenciado durante a narração da história, feita por ela mesma. E Scott Kilpatrick, um antigo amigo da escola, quebrou talvez a mais importante das regras – e agora ele está de volta.

A história é sensacional. Amo livros que tratam sobre coisas que fogem totalmente à nossa realidade, e esse é mais um caso. Não sou cego, mas o autor realmente nos coloca em perspetiva sobre a vida de Parker. Mas ela não quer ser a pessoa que muda a rotina dos outros só pelo fato de não conseguir enxergar. Ela se adapta. E por tudo isso criou suas regras, as regras que mostram que o que ela quer é seguir em frente. Por isso vejo essa obra como uma história sobre se adaptar.

Parker está passando por momento de mudança em sua vida, em casa, na escola e com si mesma. Tudo isso meio que vai deixando as coisas fora de controle. Mas não é algo exagerado, não é algo fora da realidade que o autor simplesmente “joga”. Ele escreve de uma forma para que nós, leitores, também nos adaptemos às mudanças na vida da garota.

Obviamente, isso evidencia muito o nosso trato com pessoas com a mesma deficiência que ela, nos deixa pensativos sobre como lidamos com pessoas nessa mesma situação, ou parecida. Tipo, será que estamos agindo da forma correta? Será que a pessoa também não espera que a tratemos como uma pessoa normal, como ela de fato é? O autor consegue descrever tudo isso de uma forma delicada, mas divertida também.

Parker tem uma personalidade e tanto. Ela é engraçada, irônica, sarcástica, mas também amorosa, lutadora, e daquelas que não leva desaforo pra casa. Aliás, ela tem uma característica que se assemelha a mim: o fato de odiar não saber das coisas. Enquanto lia algumas dessas cenas em que isso acontece, eu me peguei percebendo que o meu discurso é o mesmo que o dela. E o quanto isso nos corrói por dentro, às vezes (sempre).

Mas o que eu quero dizer é que o fato de ela ser cega está presente sempre, mas ele é colocado pra escanteio sempre também. Ele não é a coisa mais importante do mundo, nem o pior desastre. Parker, como todos nós, tem problemas diários pra lidar: coisas de adolescente, já que tem apenas 16 anos, trabalhos e estudos, a família. Enfim, tudo isso faz parte da vida dela, tanto quanto faz parte da nossa. Não é uma adaptação apenas ao fato de ser cega e suas regras e rotinas estarem passando por certa turbulência. É uma fase da vida de qualquer adolescente, que está em constante mudança.

A maioria das cenas se passa no colégio e isso foi muito interessante e legal. Principalmente ver como as coisas são “normais”, na medida do possível, com o fato de uma aluna ser cega – aliás, por que isso deveria ser algo extraordinário? Claro que ela tem ajuda nas aulas, mas as coisas são como em toda escola desse estilo: conversas de corredor, fofocas etc – como se mostrasse que o mundo não tem que parar pelo fato de uma aula ser cega – ou ter alguma outra deficiência.

Também gostei do fato de Parker correr, exatamente por mostrar que ela tem tanta capacidade quanto qualquer outra pessoa. É simples assim. E correr é muito importante para ela, faz parte de sua rotina, como tomar pelo menos uma xícara de café pela manhã é uma rotina para muitas pessoas. Para ela, é como se fosse essa sensação de que “eu sou capaz de fazer isso”, ponto.

A conclusão é interessante e acho que fecha bem o ciclo do livro. É algo que tem início, meio e fim. Mas há ainda muitos mais na vida de Parker e que só nos cabe especular. Mas faço uma pergunta, e talvez você que já leu possa me ajudar na resposta: é estranho eu ter chorado quando descobri o sentido do nome do livro, e a importância dele? Não sei porque isso me emocionou, mas foi algo que me tocou, e foi logo no meio do livro…

E acho que é isso galera. Espero ter não me prolongado demais e espero que tenham gostado dessa resenha. O livro é incrível e eu super indico. Não tem nada de extraordinário, mas é delicado e importante na medida certa – com uma boa dose de humor, mas não de dar gargalhadas, e sim algumas boas risadas. Agora, me falem: vocês já leram? Gostaram? Até a próxima!

Se eu não te vir primeiro

Autor: Eric Lindstrom

Editora: Rocco Jovens Leitores

Ano: 2019

320 páginas

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