Resenha: O Vilarejo – Raphael Montes

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Olá, meus queridos leitores! Como vocês sabem, estamos no mês do terror e a Nini e eu já demos algumas dicas de livros especialmente para ler em outubro, que já está acabando, mas ainda dá tempo de conferir (só clicar aqui!). Bom, mas vamos ao que interessa para hoje e o que preparei é uma resenha de um livro que está nessa seleção que fizemos: “O Vilarejo”, de Raphael Montes. Lançado em 2015, o livro apresenta alguns contos, todos relacionados a um certo vilarejo – e as histórias são bem macabras. Aproveitem a leitura:

Um pequeno resumo de direito: nesse livro, temos sete contos, todos ligados a sete diferentes demônios e aos sete pecados capitais: Asmodeus (luxúria), Belzebu (gula), Mammon (ganância), Belphegor (preguiça), Satan (ira), Leviathan (inveja) e Lúcifer (soberba). Outra ligação desses contos é o vilarejo onde os personagens de cada conto tem alguma relação – direta ou indiretamente. As histórias podem ser lidas sem uma ordem definida, mas todas se entrelaçam em certo ponto e todos levam a um desfecho muito bem construído – relacionando tudo à natureza e à crueldade humana.

Antes de começar, quero deixar registrado que fiquei um tanto confuso com essa obra. Ao passo que tenho em minha mente que é uma ficção, fico em dúvida sobre o que há de fato nessa história. Vejam se me compreendem: no prefácio, o autor fala sobre um caderno de uma tal de Elfrida Pimminstoffer, numa língua desconhecida para Montes e que tinha uma relação com o demonologista (e padre) Peter Binsfield. Ao pesquisar sobre Elfrida no famigerado Google, encontrei apenas ligações com o livro de Montes. Binsfield, no entanto, me levou ao fato de que ele realmente existiu, como bem escreve Montes no prefácio.

Então, mesmo sabendo que não há outra definição para esse livro que, se não, ficção, fico com um pé atrás. Mas, confesso, pensando comigo mesmo, fui entendendo que tudo é uma criação do autor, com exceção do padre e sua teoria de ligar os demônios aos pecados capitais. Na verdade, ele usou essa teoria para construir essa narrativa e, ao mesmo tempo, se inserir na história, como ele já fez anteriormente, como sendo o tradutor do caderno de Elfrida. Ainda assim, é um tanto maluco isso, principalmente como foram criadas as histórias. E ainda estou meio em dúvida (haha). Mas, se você discorda de mim, fique à vontade para conversarmos.

Continuando a resenha, devo dizer que, levando em conta que essa é apenas uma obra de ficção, novamente me vejo surpreendido por Raphael Montes. A leitura é rápida, até pelas poucas páginas do livro, mas também pela narrativa ágil e instigante. Tem total a característica de contos e isso me fascinou muito, porque ao mesmo tempo, faz parte de um “quase” romance, uma história que se completa por meio de pequenos contos. Isso é o mais incrível de Montes, conseguir criar essa narrativa assustadora, macabra e que se completa. É a natureza humana em sua crueldade pura.

Acho que o conto mais marcante, pra mim, foi o primeiro, principalmente porque eu não esperava aquele desfecho. A própria descrição do autor ao revelar o que estávamos, de fato, lendo é arrepiante. As demais histórias também são marcantes e todas, sem dúvida alguma, fazem a relação pecado-demônio-vilarejo muito bem. Há uma certa previsibilidade depois disso em alguns contos, mas o autor sempre consegue nos surpreender de alguma forma e eu não canso de dizer o quanto isso é bom para nos fazer mergulhar de cabeça nas histórias, mesmo pelo terror que aquelas páginas transpiram.

Da narrativa do autor, não posso dizer muito. Novamente vemos histórias muito bem construídas, contextualizadas e numa escrita sensacional, e que eu já virei fã há um tempo, claro. Raphael Montes tem uma capacidade incrível para contar histórias apavorantes, mesmo que elas não deem medo, de fato. Não se engane, eu fiquei arrepiado com os contos, mas não é algo que dá realmente medo. É algo que remete muito à natureza humana, à crueldade, mas que não necessariamente te faz cobrir os pés com medo de que um demônio venha te fazer uma visita à noite. Mas sim, dá medo, se levarmos em conta os pecados e como eles, deixando de lado a questão religiosa, podem ser cruéis.

Enfim, eu diria que esse é um livro sensacional e muito bem-vindo para esse mês. Ele representa bem esse universo e nos presenteia com a precisão de uma história de Raphael Montes. Indico muito essa leitura, seja pra esse mês, pro mês que vem, ou quando você quiser. Quando começar, eu sei que vai ser difícil você conseguir parar – posso te garantir isso, pois foi assim comigo…

Espero que tenham gostado dessa resenha. Tô morrendo de vontade de conversar com vocês sobre, ok? Então, me chamem e bora falar sobre essa obra incrível de Raphael Montes, o autor brasileiro que tem conquistado o selo de “príncipe dos horrores” com muito louvor – e muito merecimento. Aguardo vocês. Até a próxima!

Ficha técnica:

O Vilarejo

Autor: Raphael Montes

Editora: Suma (Companhia das Letras) – 3ª reimpressão

Ano: 2015

96 páginas

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