Resenha: Uma dor tão doce – David Nicholls

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Olááá! Sejam bem-vindos ao nosso março! Preparados para muita resenha e novidades? Assim esperamos… Nós começamos muito bem com a resenha de “Uma dor tão doce”, de David Nicholls. Esse foi o livro de fevereiro do Intrínsecos. Então, aproveite a leitura:

Fim do colégio para Charlie, e não poderia ser a pior a hora para tudo começar a explodir. Sua mãe sai de casa, ele tem certeza de que não foi bem nos testes para a faculdade, e agora precisa conviver com o pai depressivo e falido sozinho. É quando ele esbarra, sem querer, com uma peça de Romeu e Julieta que as coisas começam a mudar, aparentemente, tudo por culpa de Julieta. Ou melhor, da atriz que interpreta a personagem: Fran Fisher. E o que era para ser um verão bastante chato se torna em algo novo e diferente para ele.

Quem narra a história é o próprio Charlie, mas anos mais tarde, já amadurecido e tendo sua vida muito diferente daquele adolescente de 1997. E isso já demonstra bem a ideia do autor de falar sobre um assunto bem interessante e que eu pouco li sobre: amadurecimento, crescimento, sobre sair de casa ou ter que lidar com alguém com depressão, sozinho. Imagina um garoto de 17 anos tendo de lidar com isso? Portanto, me identifiquei muito, logo de cara.

Nicholls consegue nos transportar para aquele momento em que estamos prestes a encerrar uma fase importante de nossas vidas que é o colégio/ensino médio, e as perspectivas para o futuro. Acho que esse é o mote do livro, no geral. Me peguei repensando escolhas que fiz nessa época de escola, atitudes que tomei ou deixei de tomar, amizades que fiz ou deixei de fazer.

Enfim, acho que a vida do protagonista é uma representação mais ou menos de nossas vidas, quando um dia, já adultos, sentamos e relembramos certos momentos que marcaram nossas vidas… então, Charlie mais velho contando essa fase de sua adolescência foi uma ótima jogada do autor para nos mostrar como mudamos. É ele contando sua vida sabendo as coisas que fez erradas, os arrependimentos e os acertos.

A narrativa é bem interessante e bem construída. Isso, já disse aqui várias vezes, ajuda muito na leitura e a torna mais instigante e ágil. Como nunca li outros livros desse autor, não sei dizer se é a pegada dele, mas senti uma leveza muito grande na narração dessa história.

Outro ponto interessante é a relação com o teatro, principalmente Shakespeare. Tenho lido livros que focam em certos nichos interessantes, como a música, o teatro, o cinema e a própria literatura. Isso é muito legal, pois expande o universo que conhecemos. Eu sei pouco sobre as obras de Shakespeare, mas esse livro me instigou a procurar mais, querer conhecer mais dele – conhecer mais poesia.

Como eu disse, Charlie precisa lidar com o pai e a mãe separados. Então, é um livro que fala sobre essa relação de filho com os pais, principalmente em momentos difíceis, como a separação. São momentos delicados e o autor nos mostra de uma forma muito inteligente e ao mesmo tempo delicada como é isso.

É, também, um livro sobre amizades, sobre novas amizades, fim de ciclos e início de outros. Como certas amizades podem surgir do nada e nos levar a lugares incríveis e, ao mesmo tempo, como amizades que achávamos serem primordiais em nossas vidas se tornarem tão frágeis quando realmente colocadas em teste.

É uma história de amor, sim, e uma bela homenagem a Shakespeare. Acho até que muitas partes do livro tem um tanto de poesia que remete muito às obras shakespearianas, ainda que eu não conheça tantas. E é aí que está! Você não precisa conhecer a fundo as obras dele, o autor faz isso de uma forma sutil, sem forçar a barra.

Acho que temos muitos personagens interessantes nessa história. O próprio Charlie é um adolescente que admite que não gostava de leituras, mas agora resolveu dar uma chance a certos tipos de livros. Ele não sabe nada de teatro ou Shakespeare, nem atuar, mas isso não o impede de continuar, com um certo incentivo, claro.

Já Fran é uma adolescente mais “madura”, digamos. Ela tem uma visão diferente de vida e ensina muita coisa a Charlie, não apenas sobre o teatro. Ainda que às vezes, no começo, eu tenha percebido que o autor foca mais na paixonite de Charlie, por como ele fica fascinado em Fran. Mas depois ele aprofunda um pouco essa relação.

Quanto aos demais personagens, cada um tem uma personalidade diferente. O grupo de teatro é o mais diversificado, eu diria, e mais divertido também. E os pais de Charlie trazem uma discussão mais séria. É até quase agonizante a relação de Charlie com os pais, de nos fazer repensar certas atitudes e pensarmos como seremos se estivéssemos nesses papéis.

E acho que é isso pessoal. Não sabia o quanto iria gostar dessa obra, mas ela tem muitas nuances, e é uma leitura prazerosa e me surpreendeu muito, positivamente, principalmente pelas discussões. O romance é algo que vem naturalmente, sem forçar a barra e que complementa a história.

Enfim, indico muito esse livro, assim que ele for lançado oficialmente pela Intrínseca. Eu tenho certeza de que valerá a pena. Espero que tenham gostado da resenha. Vocês curtem livros que falam sobre crescimento e amadurecimento? Aguardo vocês… Até a próxima!

Uma dor tão doce

Autor: David Nicholls

Editora: Intrínseca/Intrínsecos

Ano: 2020

384 páginas

Uma opinião sobre “Resenha: Uma dor tão doce – David Nicholls

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