Resenha: Um caminho para a liberdade – Jojo Moyes

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Olá, leitores. Sejam bem-vindos a outubro. Mais um mês intenso, recheado de novidades, boas leituras, e, claro, resenhas! E é por onde começamos, ao falarmos do livro “Um Caminho Para a Liberdade”, de Jojo Moyes. Esse livro chegou primeiro aos assinantes do Intrínsecos (unboxing aqui!) e é um lançamento mundial da autora best-seller. Eis que eu, que nunca havia lido um livro dessa autora, recebo essa obra – uma história que me surpreendeu de início ao fim. Pois bem, vamos ao que interessa. Aproveitem a leitura!

A história se passa na década de 1930, logo após a Grande Depressão (crise econômica de 1929) nos Estados Unidos, que afetou todo o mundoe as pessoas do Kentucky, onde se passa a maior parte da história e onde vivem Alice e Margery. Alice se casou há menos de seis meses com o americano Bennett Van Cleve. Antes, ela morava na Inglaterra e foi onde o conheceu e esperava, com o casamento, se ver livre da prisão que era em sua casa. Mas ela estava enganada. Até que surge, agora em sua nova cidade, uma ideia. Uma biblioteca itinerante (a cavalo) que precisa de mulheres voluntárias para levar livros até locais mais remotos (nas montanhas) e às pessoas que não possuem acesso aos livros facilmente.

Essa biblioteca é liderada por Margery, uma pessoa que vai contra os “padrões” e os “bons costumes” da época. Essa é a forma como Alice encontrará para respirar tranquilamente. Elas, ao lado de outras mulheres, tentam mostrar que o preconceito não é nada perto do conhecimento que elas estão dispostas a espalhar pela cidade. Mas, é claro, os velhos costumes serão um desafio a ser superado por essas mulheres. Como ainda são, hoje em dia, em todo o mundo e elas, juntas, mostrarão que existe sim, um caminho para a liberdade – seja ela qual for.

É um romance de época, se é que podemos chamar assim, que fala sobre como era ser mulher naquela época, logo após esse período da Depressão econômica dos Estados Unidos, numa cidade pequena em que os homens, fazendeiros ou que trabalham em minas, detém o poder e acreditam serem superiores às mulheres. Isso é muito evidenciado pelo sogro de Alice, que é um homem desprezível e que mora com o casal. Só isso já é suficiente para vermos que ele acredita que pode mandar na nora, pode dizer o que ela deve ou não fazer. Mas Alice é muito inteligente e se mostra superior ao sogro em diversos momentos, ainda que às vezes precise usar artifícios apenas para não ter que ver a fúria do homem.

Aliás, ainda falando sobre essa questão dos homens que se sentem superiores às mulheres, naquela época, a autora nos traz uma cidade pequena, com todas as peculiaridades que cidades pequenas (e montanhosas) têm – a ligação com os cavalos, o xerife que é facilmente influenciável, o trato com as mulheres e seus supostos papéis dentro da casa, as fofocas, o fato de quase todo mundo se conhecer e ter uma opinião sobre todo mundo, uma mina em que os trabalhadores são colocados a todos os tipos de riscos, mas tudo para o lucro de uma única pessoa. Enfim, a autora realmente nos coloca em perspectiva de como era viver em uma cidade pequena, naqueles tempos, e como suas características ainda são presentes hoje em dia.

Mudando de assunto, eu nunca havia lido nada de Jojo Moyes, como bem disse antes. Até por sua característica mais romântica, e não ser um tipo de leitura que me atrai tanto. Ainda assim, fiquei muito feliz quando soube que esse seria o livro de setembro do Intrínsecos, exatamente por me tirar da “zona de conforto”. Logo comecei a leitura da obra e me surpreendi com uma narrativa ágil e profunda ao mesmo tempo, um vocabulário muito rico e uma história sensacional. E esse sentimento permaneceu por toda a leitura, até as últimas páginas. A forma como Jojo Moyes a escreveu me encantou de uma forma impressionante…

Dos personagens, o que posso dizer é que temos no papel de Margery alguém que foge dos padrões daquela época, ou o que era considerado padrão, pelo menos, remetendo a uma mulher que sabia exatamente o que queria e não se importava com o que os outros falavam ou pensavam dela. O papel dela é muito importante, sendo às vezes considerada como um “problema”. Mas é ela que desperta esse senso de que as coisas não estão certas. Ela tem uma ligação com os livros que nos inspira, e inspira aquelas mulheres que se unem em um propósito. Margery é uma personagem inspiradora e que lembra a muitas personagens da vida real.

Acho que Alice, mesmo sendo meio que a protagonista dessa obra, não tem a mesma intensidade que Margery. Ainda assim, é uma mulher forte, determinada, que ainda está descobrindo seu papel nessa roda gigante que é o mundo. Ela é muito inspirada por Marge e dá pra ver o quanto ela tem em Marge uma pessoa que mudou completamente sua vida, que foi importante para sua trajetória desde quando era considerada estranha por todas da cidade, apenas por ser inglesa, até o momento em que se tornou primordial para aquela biblioteca e para as próprias mulheres que trabalhavam no projeto. Marge é a personagem centrada, que demonstra um propósito. Alice é a personagem romântica que, apesar de estar determinada nesse projeto, também tem seus sonhos e anseios enquanto mulher e esposa.

Falando um pouco dessa relação com os livros que Jojo Moyes colocou em sua obra, acho que sua intenção era mostrar como um simples livro pode ser considerado uma arma perigosa para aqueles que são contra o respeito e a tolerância. Ela escreveu essa obra de uma forma que tornou os livros protagonistas de um livro. Pois é por meio dessa iniciativa, de levar os livros até as pessoas, que essas mulheres conseguem fazer pequenas mudanças, que no futuro podem (e se tornaram) de extrema importância. É o livro que é o caminho para a liberdade, na minha visão. E são os livros que se tornam um caminho de esperança para cada uma dessas mulheres.

Sobre a conclusão, sabem aquela sensação de que você espera que a autora conclua essa obra de uma forma que todos sejam felizes? Aquele final feliz que todos esperamos depois de uma obra tão impactante? Era isso que eu pensava ao começar a derradeira trajetória para o fim da obra. Se é isso o que ela dá, não sei. Afinal, cada um de nós têm uma ideia diferente do que é o “final feliz”. Só sei que eu amei a forma como ela concluiu esse livro, com uma verdadeira chave de ouro. Sobre livros tão bons, sempre digo que gostaria continuar lendo sobre, e conhecer o futuro daqueles personagens. Nesse caso, a sensação é a mesma, mas ela escreve de uma forma como sabemos exatamente o que vai acontecer com essas pessoas. E isso é muito bom.

Não posso classificar essa obra de uma forma diferente do que essa: necessária. Sim, necessária, ainda nos tempos de hoje, mesmo recontando de uma época conhecida pela intolerância sem limites, ainda que isso não fosse verbalizado por tantas pessoas como é hoje. E sim, apesar de hoje vermos que isso está, aos poucos, sendo superado, ainda somos um planeta marcado pela intolerância, o preconceito e a defesa pelos “bons costumes”, que permitem que pessoas (homens, em sua maioria), se utilizem das palavras da Bíblia para disseminar o ódio. Por isso é um livro que, mesmo retratando a década de 1930, é mais do que necessário nos dias hoje. Ele evidencia uma luta de mulheres, que hoje em dia tem muito mais voz do que naquela época, pela liberdade de fazerem e serem o que quiserem. E de se verem livres do (pré)conceito de que são inferiores aos homens.

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Bom, finalmente, chegando ao fim dessa resenha só posso dizer, e acho que vocês perceberam, que amei essa leitura. Tão profunda, impactante e, ao mesmo tempo, tão ágil e “rápida”, no bom sentido. Enfim, foi um prazer enorme ler, finalmente, uma obra de Jojo Moyes e acredito que posso dar uma chance para seus outros livros, lançados anteriormente. O fato é que amei e recomendo muito essa leitura. Espero que tenham gostado da resenha e deixem nos comentários o que acharam. Vou amar saber, ok? Até a próxima!

Ficha técnica:

Um Caminho Para a Liberdade

Autora: Jojo Moyes

Editora: Intrínseca/Intrínsecos

Ano: 2019

368 páginas

3 opiniões sobre “Resenha: Um caminho para a liberdade – Jojo Moyes

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